MILES DEWEY DAVIS JR. – MILES DAVIS

Deus existe?!? Eu como ex-engenheiro, considero-me leigo para analisar e discutir assuntos filosóficos, metafísicos e teológicos, mas no domínio do jazz conheço um pouquinho.

Sim, no mundo do jazz Deus existe… e seu perfil assemelha-se ao seguinte:

  • Gênio do trompete, criativo ao extremo, inovador e sem restrições a gêneros musicais.
  • Charmoso, como um Alain Delon azul-marinho, fashion, artista plástico e seguidor do cubismo nas horas vagas como fã incondicional de Pablo Diego.
  • Além de ser difícil e complexo tocar um instrumento de sopro, ele tocava trompete mascando algo parecido com chiclete… e sem prejudicar a qualidade do som!!!
  • Voz cavernosa, marcante e inconfundível, falando como se fosse em E.T., e suas mãos de baixista acústico pareciam galhos de uma árvore sobrevivente ao rigor do inverno siberiano.
  • Altruísta, dedicava seus shows aos jovens músicos que o acompanhavam e regia seus shows de costas para o público, mas de frente para seus músicos como fazem os grandes e talentosos maestros.
  • Sem limites, apresentava-se em shows de rock contaminando, envolvendo e hipnotizando plateias que nem sabiam o que era jazz.
  • Pesquisador e perspicaz, descobria, incentivava e lançava para o mundo do jazz meninos de 19 a 21 anos que hoje são nossos grandes ícones do jazz: Herbie Hancock, Keith Jarrett, Chick Corea, Ron Carter, Dave Holland, Wayne Shorter, Airto Moreira…
  • Admirado e respeitado por todos ,no mundo do jazz (exceto Wynton Marsalis e Dave Brubeck), não admitia ensaios, pois para ele a essência do jazz exigia improvisações no palco.
  • Concebeu e gravou sem ensaios o melhor CD de jazz de todos os tempos, coincidentemente o mais vendido na história do jazz, Kind of Blue, lançado há exatos 51 anos.

Conheci a música de Miles na década de 1950, durante minha adolescência, o que despertou meu interesse pelo gênero musical. Em Itapetininga, após 22h00 a cidade fechava para balanço geral… era o horário de “recolher”, pois as meninas tinham que voltar para casa afim de que seus pais garantissem suas virgindades… noturnas. Logo após tomar um copo de cerveja faixa azul e comer uma fatia de pizza mussarela com meus amigos, eu também voltava para casa, pegava a chave em baixo do capacho ao lado da porta e corria para meu quarto para ouvir a Rádio Eldorado.

Inesquecível, o show começava às 23h00: Hoje é Noite de Jazz ou Música Popular Norte-Americana, e Miles sempre participava interpretando aquelas “cool”: Stella by Starlight, My Funny Valentine e Round Midnight, então… fui apresentado a Deus graças à Rádio Eldorado.

Miles Dewey Davis Jr. nasceu em 26 de maio de 1926 em Alton, Illinois de uma família relativamente rica, filho do dentista Dr. Miles Davis II. Sua mãe uma talentosa pianista de blues, queria que Miles aprendesse piano, mas ao ganhar um trompete de seu pai aos 13 anos, seu destino foi traçado.

Em 1944 o grupo de Billy Eckstine foi tocar em St. Louis acompanhado por Dizzy Gillespie e Charlie Park, e Miles aos 18 anos participou como terceiro trompetista durante algumas semanas… assim começou seu envolvimento com os famosos jazzistas da época.

Logo após, muda-se para New York e em 1948 e começa a trabalhar com Gerry Mulligan, Lee Konitz e conheceu seu grande parceiro Gil Evans com quem colaboraria pelos próximos vinte anos.

Entre 1950 e 1955, Miles gravou com grandes nomes do jazz tais como: Thelonious Monk, Sonny Rollins, Charles Mingus, Milt Jackson, mas devido ao uso abusivo de drogas ficou marginalizado e considerado irresponsável.

De 1955 a 1957, Miles concebeu seus famosos quintetos e sextetos com Coltrane, Cannonball, Paul Chambers, mas a heroína consegue desestruturar o grupo. Entretanto, eles voltam em 1959 para gravar a obra prima do jazz “Kind of Blue”.

De 1957 a 1963, Miles gravou uma série de álbuns famosos com o compositor e arranjador Gil Evans: Miles Ahead, Porgy and Bess, Sketches of Spain. Em sua autobiografia Miles menciona “meu melhor amigo foi Gil Evans“.

De 1964 a 1968, Miles gravou seu último álbum acústico E.S.P. e logo após o piano elétrico, baixo elétrico e guitarra foram introduzidos com experimentações com ritmos de rock, iniciando a fase “fusion” de Miles.

Entre 1968 e 1975, Miles gravou dois álbuns marcantes “In a Silent Way” e “Bitches Brew”, com imensa vendagem e alcançando o disco de ouro (meio milhão de cópias vendidas), concebendo as primeiras fusões entre o jazz e o rock que seriam comercialmente bem sucedidas.

Após o festival de Jazz de Newport em julho/75, Miles afastou-se do público por seis anos, caracterizando esta fase como “época colorida”, esbanjando dinheiro com mulheres, sexo e drogas.

Em 1986 Miles grava com Marcus Miller o álbum “Tutu”, utilizando ferramentas modernas de estúdio como sintetizadores programados, samples, criando uma nova modalidade de tocar.

Após “Tutu”, influenciado por “Sketches of Spain”, Miles lança “Amandla” com Miller e George Duke conseguindo elogios da crítica especializada.

Suas últimas gravações, lançadas postumamente foram o álbum “Doop-Bop” com influências do hip hop e “Miles & Quincy Live at Montreux”, lançado no Festival de Montreux com Miles interpretando suas gravações dos anos 60 pela primeira vez em décadas”.

Miles nos deixou em 28 de setembro de 1991 por AVC, pneumonia, insuficiência respiratória, em Santa Mônica, Califórnia, aos 65 anos.

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