CHESNEY HENRY BAKER JR. – CHET BAKER

Incrível!!! João Gilberto cantando jazz e em inglês…

Inicio da década de 60, como sempre antenado nas emissoras de rádio, ouço João Gilberto interpretando My Funny Valentine e fiquei extasiado e hipnotizado.

Todo empolgado comentei com meus amigos também ligados em música, minha nova descoberta. Incrível, pois ninguém conhecia…

Determinei que seria um desafio e uma obrigação para mim mesmo, descobrir e comprar este disco do João Gilberto, pois era uma necessidade emocional muito forte e intensa ouvir esta gravação novamente, over and over again.

Apelei para o óbvio, e fui percorrer as lojas especializadas em música em São José dos Campos, onde morava, e nada…

Apelei novamente para o óbvio plano B e fui garimpar as lojas especializadas no gênero em São Paulo. Após várias decepções, finalmente na famosa loja Breno Rossi (ou Bruno Blois?) lá no centro de São Paulo, o simpático atendente disse que tinha o que eu procurava.

Fiquei estupefato e meio incrédulo, senti meu coração disparar e o atendente percebendo meu estado emocional, disse que iria tocar o disco para mim.

Inacreditável, verdade!!! Fiquei arrepiado, pois era esta mesma gravação que eu tinha escutado e amado.

Então, adquiri o primeiro de uma longa série de LPs, CDs e DVDs de Chet Baker que orgulhosamente fazem parte do meu acervo.

Graças à Breno Rossi (ou Bruno Blois?), o enigma foi solucionado…

Chesney Henry Baker Jr. nasceu em 23 de dezembro de 1929 em Yale , Oklahoma, criado em uma fazenda até os dez anos, e no final dos anos 30 vai para Los Angeles estudar música, devido influência de seu pai, um modesto guitarrista.

Começou a tocar trompete durante sua adolescência e jovem, passou a integrar o grupo de Stan Getz, mas só atingiu o sucesso depois do convite de Charlie Parker em 1951 para uma série de apresentações na costa ocidental. Em 1952 ingressou na banda de Gerry Mulligan lançando o sucesso e sua primeira versão de My Funny Valentine, mas logo o grupo encerrou suas atividades devido problemas de Gerry com drogas…e neste momento estava nascendo o grande e eterno problema de Chet.

Em 1953, gravou o LP de 10 polegadas Chet Baker Sings com recorde de vendas e destacando novamente sua interpretação vocal em My Funny Valentine. Então, com 24 anos Baker foi eleito o melhor trompetista do mundo, ultrapassando Louis Armstrong, Miles Davis e Dizzy Gilespie.

Não sabia ler partituras, mas era dotado de extrema criatividade, inaugurando um modo de cantar no qual a voz era quase sussurrada e vinha do fundo da alma. Dizem que Chet teria exercido grande influência em João Gilberto, mas dizem também que Chet foi muito influenciado pelo acordeonista e cantor deficiente visual, Joe Mooney nascido em 14/03/11 em New Jersey…

No início de 1960, ficou preso na Itália por mais de um ano por porte de drogas, e após seu julgamento e libertação tornou-se um ícone artístico e parecia ter toda a Itália a seus pés e em março de 1964 foi deportado da Alemanha para os Estados Unidos e no final dos anos sessenta suas gravações foram decepcionantes e muitas vezes constrangedoras.

Chet morava em New York e Los Angeles até 1968, e quando se mudou para São Francisco foi assaltado por criminosos, perdendo muitos de seus dentes o que veio a prejudicar sua performance musical.

Retornou à Europa em 1975, onde residiu até sua morte, retornando aos Estados Unidos aproximadamente uma vez por ano, para alguma apresentação de pouco destaque

Seu perfil: chamado de “demônio com cara de anjo” em um tribunal italiano, humilhado profissionalmente nos Estados Unidos e na Europa no auge de seu sucesso, homem de poucas palavras e notas angustiantes, inspirador dos anúncios da Calvin Klein, considerado James Dean do jazz, imitado por Matt Damon ao cantar My Funny Valentine no filme O Talentoso Rippley, ignorado por Ken Burns no premiado e excelente trabalho sobre jazz The Story of American Music, personalidade dupla contrastando a suavidade e beleza de seu som com seu mal caráter, teve como herói musical Miles Davis e apresentou sinais de demência vivendo isolado nos últimos três anos de vida.

The Last Great Concert foi seu último álbum gravado e ao vivo na Alemanha em 28/04/88, onde interpretou magistralmente My Funny Valentine, sua primeira gravação que ajudou a torná-lo famoso em 1952, foi também sua última canção.

Chet foi rever seus amigos de forma trágica e misteriosa, na madrugada de 13/05/88, quando despencou da janela de um hotel em Amsterdã. Até hoje existem muitas controvérsias sobre a causa de sua viagem: suicídio ou acidente?
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