DAVE WARREN BRUBECK – DAVE BRUBECK

Ex-futuro cowboy, graças ao Bom Deus optou pela música, tornando-se um dos maiores pianistas da história do jazz. Dave Brubeck, nascido na Califórnia em 06/12/20 felizmente ainda continua vivo e tocando piano para surpresa de muitos. Normalmente há uma tendência de acharmos que todos os músicos da era de ouro do jazz estejam falecidos….

Início da década de 60, durante os bons tempos de faculdade, curtíamos os LPs de João Gilberto, The Mamas & The Papas, The Platters, Four Seasons… Mas havia um LP que era muito especial para todos nós. Além de sua capa ser magistral (gravura de Joan Miró), seu conteúdo está no mesmo nível de qualidade: TIME OUT com Dave Brubeck Quartet, lançado em 1959.

Provavelmente, este foi o LP de maior rodagem em meu pick-up durante a década de 60. No mundo do jazz, caracterizado pela pouca vendagem de discos, o álbum “Time Out” foi o primeiro LP de jazz que ultrapassou a marca de 1 milhão de cópias vendidas.

No bar All of Jazz, sempre que algum “iniciante” vai até a loja, curioso por conhecer um pouco sobre o mundo do jazz e me consulta sobre um CD a ser adquirido, sempre o recomendo, pois eu também fui iniciado com “Time Out” e Erroll Garner.

A formação de ouro do Dave Brubeck Quartet era constituída por Dave Brubeck ao piano, Paul Desmond ao sax alto, Joe Morello na bateria e Eugene Wright no baixo acústico. Após 16 anos, o Quarteto Mágico foi dissolvido em 1967, e os filhos de Dave passaram a integrar o novo Quarteto, o que causou uma queda na qualidade musical do Grupo. Não é só no Brasil que os filhos tentam destruir a obra musical dos talentosos pais…

Time Out contém composições de Dave Brubeck com destaque para “Blue Rondo a La Turk” e uma composição do saxofonista Paul Desmond “Take Five”, que por ironia do destino foi a música de maior sucesso não só do disco, mas também de toda carreira do Dave Brubeck Quartet. O sucesso de Take Five foi mundial, causando influencias em Roberto Menescal quando compôs “Adriana” e levando Paul Desmond a compor “Take Ten” que não teve maiores repercussões.

Novamente por ironia do destino, todos acham que “Take Five” foi composta por Dave Brubeck, tornando Paul Desmond um grande injustiçado, como já havia acontecido com Billy Strayhorn que compôs a famosa “Take the A Train” (acham que é de Duke Ellington) e com Francis Hime (acham que as músicas “Atrás da Porta”, “Trocando em Miúdos”, “Vai Passar” e “Apesar de Você” foram compostas por Chico Buarque, que apenas escreveu as letras).

Em 1961, dois anos após o lançamento de “Take Five”, é lançada outra obra prima do Dave Brubeck Quartet: “Time Further Out”, exibindo na capa outra gravura magistral de Miró, sendo todas as composições de autoria de Dave Brubeck, logo, desta vez Paul Desmond não seria injustiçado. O LP é todo ótimo, mas o destaque fica para “Far More Drums” e “Unsquare Dance”. Se algum dia eu apresentasse um programa de jazz em alguma emissora de rádio, o prefixo musical seria sem dúvida alguma ”Unsquare Dance”. Infelizmente o CD “Time Further Out” ainda não foi lançado no Brasil, mas poderá ser adquirido nas boas casas especializadas em jazz ou na vizinha, econômica e européia Buenos Aires por apenas 28 pesos (aproximadamente R$ 15,00).

Em 1954, Dave Brubeck e Duke Ellington que eram muito amigos, faziam turnês musicais juntos e a consagrada revista Time, não sabia quem colocar na capa da próxima edição. Às 7h00 da manhã, Duke Ellington bate na porta do quarto de Dave Brubeck no hotel e diz: ”Dave, você está na capa da Time”. Dave Brubeck mais tarde confessou a Duke: ”Fiquei arrasado, pois queria sair na capa da Time, mas não antes de você”.

Dave, filho de um fazendeiro e de uma pianista erudita começou a aprender piano aos 4 anos de idade com sua mãe, e sua musica refinada é uma mistura da musica clássica moderna com jazz. Mais tarde, o compositor francês e professor de Dave, Darius Milhaud o aconselhou: ”Viaje pelo mundo e mantenha os ouvidos abertos. Use tudo que ouvir de outras culturas e traduza para o idioma do jazz”. Foi assim que nasceu o hit ”Blue Rondo a La Turk” com fortes influências da música turca.

Atualmente, com 87 anos Dave encontra-se cansado, mas não deixa de tocar piano e gravar de preferência CDs solos, felizmente. Dave gravou recentemente o CD “Indian Summer” através da conceituada gravadora Telarc, interpretando ao piano solo standards de jazz e algumas composições originais.

Dave mostra-se bastante magoado pelo fato de não ter sido valorizado musicalmente por músicos famosos como Miles Davis, John Coltrane e também pelo fato de Bill Evans e outros pianistas de jazz não terem reconhecido que sofreram influências de sua obra musical.

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