EDWARD KENNEDY ELLINGTON – DUKE ELLINGTON

Caramba!!! Não sei se estou equivocado, mas me considero uma pessoa reservada, recatada, controlada e que jamais poderia ter atitudes oportunistas, egoístas e interesseiras, mas enfim, posso estar enganado…

Ano de 1971, me preparei para uma noite muito especial e que exigia que me vestisse de uma forma charmosa e elegante. Aproveitei a ocasião para estrear meu novo terno escuro com listras de giz e discretas, adquirido na loja Garbo. Evidentemente minha camisa social era modelo especial da Raphy e sapatos pretos devidamente engraxados.

Lá fui eu todo orgulhoso e ansioso para o famoso Teatro Municipal de São Paulo em direção a uma noite soberba e inesquecível. Diante da bilheteria meu mundo caiu (desculpe-me Maysa), pois obviamente todos os ingressos estavam esgotados.

Saí decepcionado, vagando sem direção quando percebi um aglomerado de pessoas na rua localizada atrás do teatro. Era a delegação dos músicos chegando aos bastidores do teatro e fui atrás, pelo menos poder vê-los ao vivo.

Consegui me espremer, me enfiando no meio daquela multidão, mesmo amassando meu terno novo e cheguei até a porta de entrada dos músicos para admirá-los e no meio daquele empurra, empurra, e de repente… estava eu no palco do Teatro Municipal, atrás das cortinas, mas com visão plena para estar ao lado e contemplar Duke Ellington interpretando magistralmente Take the A Train, Solitude, Mood Indigo, Sophisticated Lady, Lush Life, Caravan…

Foi um momento mágico! Eu, ao lado de Duke, como sempre elegantemente vestido com seu terno escuro e sua camisa social lilás, sorriso simpático e contemplando aquela platéia totalmente hipnotizada por sua música envolvente.

Já pensei e refleti muito, mas até hoje não sei como fui parar no palco do Teatro Municipal, e sem ser molestado por ninguém durante o show… só pode ter sido uma ajuda a mais do meu amigo e fiel Anjo da Guarda.

Quando falamos em Band Leader de jazz, sempre vem à tona Duke Ellington e Count Basie. Desde minha adolescência sempre preferi Count Basie à Duke Ellington, talvez pelo fato de de que meus LPs de Duke Ellington terem sido adquiridos em liquidação….

Continuei preferindo Count Basie, até o dia em que conheci dois LPS maravilhosos e imperdíveis de Duke Ellington e mudei de opinião, pois conclui que Duke Ellington foi, é e sempre será o maior band leader da história do jazz. Estes LPs foram Ellington Índigos e Duke Ellington & John Coltrane de 1957 e   de 1962 (como de hábito, meu ídolo Coltrane sempre influenciando minhas decisões).

Edward Kennedy Ellington nasceu em 29 de abril de 1899 em Washington, filho de um desenhista da marinha dos Estados Unidos e também mordomo da Casa Branca. Recebeu o apelido de Duke de um amigo de infância pelo fato de se  vestir de uma forma extremamente charmosa e elegante.

Como seus pais tocavam piano, Duke começou a estudar piano aos 7 anos, tornando-se profissional aos 17. Estudou na Armstrong Manual Training School, e no tempo livre ouvia pianistas de ragtime em Filadelfia e começou a atuar em cafés e bares da cidade.

Na década de 20, mudou-se para New York, onde viveu sua fase mais marcante e importante, realizando concertos memoráveis e inesquecíveis no Carnegie Hall, e também se apresentando no Cotton Club no Harlem de 1927 a 1932, acompanhando cantores e bailarinos nas interpretações que levantavam o público para dançar.

Um de seus ídolos e incentivadores nos primeiros anos de New York foi o grande pianista e compositor Fats Waller. Duke entra em contato com sons novos, diferentes do ragtime de Washington e Filadelfia e passa a ouvir os pianistas do Harlem e o som inovador de Sidney Bechet e Louis Armstrong.

Duke realiza uma longa e bem sucedida temporada pela Europa e de volta aos Estados Unidos em 1939 sente-se pela primeira vez respeitado como homem, músico e artista, e conhece em  Pittsburgh o prodígio do piano Billy Strayhorn que seria seu fiel parceiro e colaborador musical por toda a vida.

Durante toda a sua vida gostou de fazer música experimental, gravando com John Coltrane e Charles Mingus, e entre os grandes nomes que tocaram com ele e deram à banda sua identidade estão: Ben Webster, Jimmy Blanton, Cootie Williams, Paul Gonsalves e Johnny Hodges.

A música de Duke Ellington foi uma das maiores influências no jazz desde a década de 20 até 60 e é considerado o maior compositor de jazz americano de todos os tempos, com aproximadamente 3 mil composições. Entre seus grandes sucessos estão “Take the A Train” (letra e música de Billy Strayhorn relembrando a linha A do subway que conduzia o pessoal ao Cottom Club no Harlem), “Satin Doll“, “Mood Indigo“, “Caravan“, “Sophisticated Lady”, e “Solitude“.

Apesar da grande competência musical dos membros de sua banda, eles eram dotados de uma certa ingenuidade e para motivá-los antes dos shows, Duke sempre os desafiava “insinuando” que o solo de um  deles seria bem melhor que o dos outros…

Nas décadas de 60 e 70 Duke fez várias turnês internacionais, do Japão à América Latina e sua orquestra veio ao Brasil em 1968 e 1971. Além dos concertos sacros, fez nesse período as trilhas dos filmes “Anatomia de um Crime” (1959) e “Paris Blues” (1961).

Duke  ausentou-se para reger um concerto eterno em 24/05/74, vitima de câncer e sendo enterrado no Bronx em New York. Quem for ao Central Park, no cruzamento da 5th Avenue com a 110th Street poderá contemplar uma majestosa escultura de Duke ao lado de seu grande e inseparável amigo, seu piano,  inaugurada em 1997.

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